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Constelações Familiares

Constelações Familiares


Bert Hellinger; tratamento; família; pertencimento; hierarquia; terapia; psique; adoecimento; cura; emaranhados;

Um Olhar Sobre as Constelações Familiares.

 Durante a graduação, em meados de 2003, tive meu primeiro contato em workshop e realizei estudos sobre a Terapia Familiar Sistêmica, sendo ela uma linha de formação da área da psicologia, que busca através de técnicas e intervenções específicas, atuar terapeuticamente no âmbito das angústias, sofrimentos ou mesmo disfunções da dinâmica familiar; uma das autoridades estudada nesse assunto na época foi Salvador Minuchin.

 A teoria, os conceitos, as técnicas, algumas advindas do psicodrama , a visão de sujeito e suas relações dentro do contexto familiar já chamavam muito a minha atenção. 

 Como boa curiosa das diferentes vertentes terapêuticas e sempre em busca de autoconhecimento e processos de cura, encontrei uma consteladora que atuava em Curitiba, e me deparei no ano de 2014, aproximadamente, com as constelações familiares de Bert Hellinger, outro autor e estudioso da abordagem sistêmica, da qual participei como representante nos grupos das constelações, sendo também constelada dentro dessa perspectiva de tratamento. 

 Foi a partir das experiências nos grupos de constelações familiares que meu despertar para o estudo nessa linha terapêutica aumentou; consequentemente as pesquisas acerca de material bibliográfico vieram e há um arsenal nesse sentido; vou mencionar um deles na sequência que trouxe um entendimento maior sobre a teoria, de forma clara, numa linguagem acessível e com temas bastante polêmicos do universo das constelações familiares, essa é minha indicação de leitura para os mais curiosos deste tema.

 Do encontro de Gabriele ten Hövel, jornalista, redatora, formada em ciências políticas e diga-se de passagem, um tanto quanto cética da teoria; com o filósofo, teólogo, pedagogo e “assistente de almas”, assim prefere ser chamado, Bert Hellinger, surgiu o livro: Constelações Familiares – O reconhecimento das Ordens do Amor. 



 [1] *Psicodrama: conjunto de técnicas terapêuticas, originariamente introduzidas por Jacob Moreno, em 1925, que auxiliam as pessoas a representar emoções ou situações penosas. Tomando a situação como uma dramatização e contando com o auxílio d terapeuta e de outros membros do grupo, o paciente pode chegar a compreender melhor o problema e pode tentar modos alternativos de responder com segurança. 



Nele encontra-se vários temas, da condição humana, densos e de difícil trato, sendo abordados pela jornalista de forma direta e bastante questionadora acerca da bases filosóficas e visões de sujeito da teoria das Constelações Familiares Sistêmicas de Bert Hellinger.

O livro se baseia nas entrevistas provocativas de Gabriele ten Högel onde o autor traz sob a ótica fenomenológica e sistêmica temas como adoção, incesto, amor, morte, luto, separação, espiritualidade, rebeldia, pertencimento, dentre outros, e o conceito de emaranhados familiares como tema central nas intervenções terapêuticas. 

Nos trabalhos das Constelações observa-se 3 pilares fundamentais de resolução destes emaranhados sendo eles, quem vem antes – dentro da ordem familiar, a hierarquia propriamente dita; o direito de pertencimento, do indivíduo no contexto familiar e o dar e receber. Quando esses três pilares estão em harmonia se estabelece aí uma ordem, uma dinâmica de maior equilíbrio funcional entre os membros.

Buscando nas constelações a resolução de uma situação conflitante, o cliente muitas vezes não tem entendimento ou consciência dos papéis que assume dentro do âmbito familiar, aquilo que está disfuncional; papéis estes, que também lhe são incutidos como forma de pertencer a aquele grupo; restabelecer o equilíbrio ou ser leal a família, a sua história ou destino. 

Esse emaranhado pode refletir em queixas como insucesso profissional, medo, ansiedade, separações, doenças, conflitos na ordem de relacionamentos interpessoais (dentro ou fora do contexto familiar) das mais variadas queixas, podendo ter relação direta ou indireta com situações familiares não resolvidas.

Na tentativa de compreender a queixa inicial, o constelador, lança um olhar sob o viés desses três pilares, tendo entendimento da história desta família, se há mortes ou excluídos nesse sistema. O lugar que ao sujeito lhe é atribuído, que ocupa e assume para si neste contexto. Trabalhando as liberações por meio de técnicas de intervenção; com objetivo de harmonizar o campo familiar e restabelecer uma ordem ao indivíduo e para que, naquela dinâmica, lhe fique mais harmônica. 

Esse papel é atribuído ao constelador através de seu olhar analítico, de respeito, amor incondicional, ética, neutralidade, compromisso e técnicas apropriadas, atuando como um mediador terapêutico, visando focar a queixa de seu cliente, bem como intervir na possível causa de sofrimento que lhe é trazido em cena.

É um trabalho de amor e entrega por parte de todos os envolvidos no processo das constelações, desde aqueles que serão os representantes dentro do tema a ser abordado, ao cliente que vem com a queixa, até o constelador. 

O grande desafio de quem busca nas constelações uma forma de tratar seu sofrimento é deparar-se com os mais variados sentimentos e emoções despertados dentro do campo em que se esta constelando, esse é o desafio maior. Olhar com amor e respeito sentimentos por vezes ambíguos da natureza humana que perpassam naquele momento em sua forma mais pura. 

Lidar com a dor e reconhecer a forma como os emaranhados na família ocorrem há que se ter predisposição, coragem e um sentimento de necessidade de cura por parte de quem busca tratamento; pois ao se curar, ou buscar ajuda, o cliente está contribuindo para a cura dos demais membros de sua família. 

Constelar a si é um ato de amor aos demais membros de sua família; é contribuir para a cura daqueles que ainda virão.



Referencias

HAUSNER, Stephan. Constelações Familiares e o caminho da cura: a abordagem da doença sob a perspectiva de uma medicina integral; tradução Newton de A. Queiroz. – São Paulo: Cultrix, 2010.

HELLINGER, Bert. Constelações familiares: o reconhecimento das ordens do amor / Bert Hellinger, Gabriele Ten Hövel; tradução Eloisa Giancoli Tironi, Tsuyko Jinno-Spelter. – São Paulo: Cultrix, 2007

HELLINGER, Bert. No centro sentimos leveza: conferências e histórias; tradução Newton de Araújo Queiroz. 2º ed. – São Paulo: Cultrix, 2006

STRATTON, Peter. Dicionário de psicologia Peter Stratton, Nicky Hayes; tradução de Eméria Rovai. São Paulo: Pioneira Thompson Learning, 2003.



Curitiba, 04 de Abril de 2018.

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